Resistência Apodi

A Chapada do Apodi, localizada na divisa do Rio Grande do Norte e do Ceará, desde os anos 2000, sofre um processo de desterritorialização iniciado na sua parte cearense devido à implementação de grandes empresas transnacionais e nacionais de fruticultura para exportação que se instalaram a partir do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi. Esse processo de modernização agrícola nessa região trouxe implicações para o trabalho, o ambiente e a saúde: desapropriações; violência; comprometimento da segurança alimentar; mudanças nas práticas sociais e laços de vida comunitária; formação de “favelas” rurais; descumprimento da legislação trabalhista, redução da biodiversidade, degradação do solo pela monocultura e risco de desertificação; contaminação do ar e de águas superficiais e subterrâneas por fertilizantes e agrotóxicos.

Dentro de um processo histórico de luta e organização de movimentos sociais, a parte do RN da Chapada se faz hoje conhecida em todo o país como um território agroecológico de várias experiências exitosas, com destaque para a apicultura e a caprinocultura, seguidas da ovinocultura, plantação de feijão, milho e sorgo, criação de bovinos, quintais produtivos, pomares e plantações de hortaliças. O município de Apodi-RN é o 2º maior produtor de mel do país e o maior do estado do RN em caprinovicultura.

Em 10 de junho de 2011, o governo federal decretou a desapropriação de mais de 13 mil hectares de terras do lado potiguar da Chapada, onde vivem mais de 800 famílias, para dar lugar à instalação do Projeto de Irrigação Santa Cruz do Apodi, proposto pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), evidenciando uma política de irrigação em benefício da expansão do agronegócio, a exemplo do que ocorre na Chapada do lado cearense.

A disputa pelo modelo de desenvolvimento rural que se quer para o município é pautada na agroecologia, porque essa alternativa contempla uma maneira mais justa e sustentável de convivência com o semiárido. O trabalho de desenvolvimento e defesa da agricultura familiar e de economia solidária é de fundamental importância para a oposição ao modelo do agronegócio.

Entre as várias ações de resistência ao projeto do DNOCS, o movimento de mulheres é essencial desde a capacitação para produção de renda ao engajamento e organização da luta. Diversos movimentos sociais estão unidos realizando seminários, atos de rua, dossiê de denúncia e articulações junto ao Ministério Público para reformular o modelo proposto pelo DNOCS. Neste esforço, destacamos o Acampamento Edivan Pinto, maior acampamento do MST do Brasil, com mais de 700 famílias, que ocupa as terras que seriam entregues ao perímetro, e a Caravana Agroecológica e Cultural se soma nesta luta para dizer não ao projeto neoliberal de desigualdade e sim à Agroecologia!

 

Você pode acessar, curtir e compartilhar a fan page da resistência ao projeto do DNOCS na Chapada do Apodi: https://www.facebook.com/NaoAoProjetoDaMorte?fref=ts

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