Caravana Agroecológica fortalece mobilização de agricultores e agricultoras no Ceará

“Aos poderosos
Considerando que existem grandes propriedades
Enquanto os senhores nos deixam sem teto
Nós decidimos: agora nelas nos instalaremos
Porque em nossos buracos não podemos mais ficar
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com balas e fuzis
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.”

Brecht

???????????????????????????????O segundo dia de vivência dos/as participantes da Rota Zé Maria do Tomé, no Ceará foi marcado por uma mobilização de trabalhadores e trabalhadoras rurais impactados/as pelas obras da Barragem do Figueiredo, vindos/as dos municípios de Potiretama e Iracema. As famílias agricultoras ocuparam a CE 138, entre os municípios de Alto Santo e Potiretama, bloqueando o tráfego de veículos com uma pauta de reivindicações endereçadas aos órgãos de governo responsáveis pelas desapropriações e reassentamento das famílias. A rota Zé Maria então integrou-se a manifestação fortalecendo a luta dos/as atingidos/as.

A Barragem do Figueiredo foi inaugurada pelo governo federal no dia 14 de junho de 2013, inundando parte das comunidades e levando com as águas suas memórias, até o cemitério foi inundado. A sua construção expulsou famílias agricultoras das comunidades de Boa Esperança e Vila são José, no município de Iracema e da comunidade Sítio Lapa, em Potiretama. Até hoje todos os benefícios trazidos pela Barragem são exclusivamente para o agrohidronegócio instalado na região do Vale do Jaguaribe.

O modo de vida das famílias que foram reassentadas não foi respeitado. Foi negado a elas o acesso à terra para produção, o que garantiria sua segurança e soberania alimentar. Para além da questão da terra, as casas para onde as famílias foram transferidas não tem acesso à água para consumo e para produção, umas das principais demandas é pela construção de cisternas de placas nas casas dos reassentados. Também não há energia elétrica nas moradias.

O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) é o órgão responsável pelo gerenciamento das obras da Barragem do Figueiredo, que foi construída com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo Federal. A ação do Estado nesta obra pode ser caracterizada como uma contra Reforma Agrária expulsando os agricultores e agricultoras de suas terras e entregando as mesmas para as empresas do agronegócio.

Na pauta de reivindicações, as famílias exigem a imediata aquisição pelo Estado de áreas de produção para as famílias atingidas pela Barragem do Figueiredo.

Texto: Monyse Ravena
Foto: Catarina de Angola

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