A Rota Margarida Alves e a poesia de quem faz do Semiárido um lugar de bem viver

Eu vejo uma diferença do presente para o passado
Quando se comia orgânico era um prato saboreado
Diferente de hoje em dia que é tudo envenenado

Antonio Rodrigues do Rosário (Golinha)

 

A Rota Margarida Alves começou o seu itinerário no quintal de dona Edileuza, no Assentamento Tabuleiro Grande, zona rural de Apodi. A agricultora foi beneficiada com o projeto Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS) e viu sua vida mudar através da Agroecologia. Depois que a família começou a dar vida ao quintal e a criar galinhas até TV por assinatura chegou em casa. Pimentão, cebola, coentro, plantas medicinais, mamão, macaxeira, batata, pimenta, de tudo tem um pouco no quintal de dona Edileuza, proporcionando qualidade de vida não só para os donos do quintal, mas também para quem compra o produto orgânico. Edileuza não quer saber de negócio de veneno e de forma muito natural compartilhou receitas com os agricultores dos municípios de Quixeramobim, Capistrano e Madalena, povo que veio lá do sertão central cearense para viver novas experiências e trocar conhecimentos na Caravana Agroecológica e Cultural da Chapada do Apodi.

Sorrisos brotaram do quintal de dona Edileuza no Assentamento Tabuleiro Grande  | Foto: Mayara Albuquerque

Sorrisos brotaram do quintal de dona Edileuza no Assentamento Tabuleiro Grande | Foto: Mayara Albuquerque

“Pimenta, limão e sal, bate tudo no liquidificador, está pronto o seu defensivo natural”. Os agricultores e agricultoras cearenses ficaram encantados ao ouvirem as receitas, a experiência com o minhocário e a diversidade do quintal de Edileuza. Alguns levaram mudas de plantas medicinais para plantar em seus quintais, outros comeram goiaba, filmaram, fotografaram, fizeram anotações nos seus bloquinhos. E foi trocando experiências que o dia foi acontecendo.

O percurso continuou na Associação Tabuleiro Grande, lá o acervo de mais de 300 sementes de Antonio Rodrigues do Rosário, mais conhecido como Golinha, suscitou um verdadeiro debate sobre a importância das sementes crioulas e da Agroecologia na construção de novos saberes e práticas. “Do mesmo jeito que uma mãe cria um filho a Natureza cria nós, nós somos filhos dela e ela cria nós do jeito que vocês criam os filhos de vocês. Se uma pessoa chegar pra matar um filho nosso, o que nós vamo fazer? Vamo procurar defender.

Golinha, agricultor e poeta, lembra da importância da Agroecologia para a construção de um novo mundo  | Foto: Mayara Albuquerque

Golinha, agricultor e poeta, lembra da importância da Agroecologia para a construção de um novo mundo | Foto: Mayara Albuquerque

Agora, chega um cabra com um motosserra pra serrar uma árvore a Natureza não tem o que fazer. E quando ele vem, ele vai pra mais bonita que tem”, discursa emocionado Golinha. O agricultor poeta contou a sua relação com a Natureza e desabafou que algumas pessoas o consideram louco por ele passar muito tempo no meio do mato, mas Golinha não liga, o sangue de pesquisador está nas veias. Seu sonho é chegar a 1.000 tipos de sementes, dando continuidade ao legado deixado pelo pai.

O cuidado e o respeito com a Natureza se fez presente em todas as falas. Os discursos foram enfáticos em dizer que a Agroecologia é a única alternativa, “é a saída, não tem outra”. Não se pode preservar destruindo e o “projeto da Morte” como está sendo conhecido o projeto do DNOCS, acabará com o sonho de milhares de agricultores e agricultores da Chapada do Apodi, que é cultivar a terra sem danos, e sim, de maneira sustentável, pensando na saúde e no futuro de quem planta e de quem se alimenta dos frutos. “Todo esse movimento e essa luta está ameaçada porque no momento em que esse projeto se implantar, começar a produzir, começar a usar o agrotóxico, então vai acabar com isso aqui”, afirma Ivone Brilhante, presidente do Assentamento Sítio do Góis e da direção do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Apodi (STTRA).

Depois de muita prosa, declamação de cordel e compra de produtos produzidos pela Associação e pelo grupo organizado de mulheres, o último itinerário, Sítio do Góis. Lá o almoço preparado com muito carinho por dona Maria Raimunda e sua família recebeu inúmeros elogios dos participantes que viram a experiência da caprinocultura (o Assentamento é referência na criação de caprino leiteiro) e ouviram um pouco a respeito da construção do Torneiro Leiteiro, que nesse ano teve a sua oitava edição.

Por Mayara Albuquerque (IAC)

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